Introdução
Recentemente tive a oportunidade de apoiar duas empresas de amigos em
trabalhos de planejamento estratégico. São empresas totalmente diferentes e com
problemas e necessidades também completamente diferentes, porém por se tratarem
de questões estratégicas ao ajudá-los uma das ferramentas que recomendei e que
foi muito útil no processo foi à análise SWOT.
“Análise
SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de cenário (ou
análise de ambiente), sendo usado como base para gestão e planejamento
estratégico de uma corporação ou empresa, mas podendo, devido a sua
simplicidade, ser utilizada para qualquer tipo de análise de cenário, desde a
criação de um blog à gestão de uma multinacional.” – Wikipedia
SWOT é uma técnica de análise
de ambiente interno e externo, comumente empregada em processo de
planejamento estratégico para avaliação do posicionamento da organização e de
sua capacidade de competição. A sigla SWOT é uma abreviação das palavras (Strengths,
Weaknesses, Opportunities, Threats) significando que serão considerados
na análise pontos Fortes, pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças. No Brasil
podemos chamar esta ferramenta estratégica de FOFA (Fortes, Oportunidades,
Fracos, Ameaças), mas pessoalmente confesso que gosto mais de chamá-la de SWOT.
Geralmente a análise considera a
comparação da empresa com a concorrência e/ou com outras empresas do setor.
Este processo é conhecido como Benchmarking que busca
identificar as melhores práticas na indústria para obter um desempenho
superior. Nele a empresa examina como outra empresa realiza uma função
específica a fim de melhorar como realizar a mesma ou uma função semelhante.
Mas não podemos esquecer que melhor do que usar uma prática existente é
superá-la e para isso é preciso inovar.
Ambiente
Interno
Quando analisamos o ambiente
interno, devemos considerar variáveis
ou fatores que a organização tem controle, sempre envolvendo recursos,
capacidades e processos, como: colaboradores, especialização, tecnologia,
marcas, patentes, recursos financeiros, experiência dos gestores, processos
organizacionais e produtivos, informações sobre o mercado, valores ou cultura,
agilidade ou capacidade de mudança. E nesta análise interna verificamos os
pontos fortes e os pontos fracos.
S – Strengths =
Pontos Fortes – são características positivas de destaque, na instituição, que a
favorecem no cumprimento do seu propósito. Como por exemplo:
- Marca conhecida
e respeitada;
- Produtos com
qualidade superior a concorrência;
- Rede de
distribuição de cobertura nacional;
- Presteza no
atendimento a reclamações;
- Recursos de
comunicação e de logística;
- Pessoal de
excepcional competência e motivação.
W – Weaknesses =
Pontos Fracos – são características negativas, na instituição, que a prejudicam
no cumprimento do seu propósito. Como por exemplo:
- Pessoal novo e
mal treinado ou desmotivado;
- Falta de
documentação de processos;
- Sistemas de TI
não atendendo adequadamente as necessidades das áreas usuárias;
- Ausência de um
manual de usuário claro, do produto ou serviço;
- Falta de local
adequado para o estacionamento de clientes;
- Ausência de
recursos para pagamento via cartão de crédito;
- Falta de
integração entre os departamentos e sessões.
Ao considerar as fraquezas tenha foco nos fatos, não nas pessoas. A
ideia sempre deve ser construtiva, de edificação, buscando melhorias.
Segue abaixo uma tabela de alguns itens do ambiente interno que podem
ser considerados durante a análise dos pontos positivos e negativos. Estes
itens estão organizados segundo as áreas de uma empresa genérica.
Mercado
|
Forças
|
Fraquezas
|
Qualidade e padronização do produto
|
+
|
-
|
Aceitação do produto no mercado
|
+
|
-
|
Transparência na formação de preço
|
+
|
-
|
Canais de distribuição
|
+
|
-
|
Políticas promocionais e divulgação
|
+
|
-
|
Propaganda e força de venda
|
+
|
-
|
Pesquisa de mercado
|
+
|
-
|
Produção e Operações
|
Forças
|
Fraquezas
|
Controle de insumos e
matérias-primas
|
+
|
-
|
Capacidade de produção / Suporte
|
+
|
-
|
Capacidade de utilização
|
+
|
-
|
Eficiência ou Produtividade
|
+
|
-
|
Estrutura do custo de produção
|
+
|
-
|
Controle de estoques e reposição
|
+
|
-
|
Instalações e equipamentos
|
+
|
-
|
Controle de qualidade
|
+
|
-
|
Inovação e flexibilização do
processo produtivo
|
+
|
-
|
Sistema de Informação Gerencial
|
Forças
|
Fraquezas
|
Coleta de dados e informações
|
+
|
-
|
Capacidade de armazenamento de
dados
|
+
|
-
|
Qualidade dos dados e informações
|
+
|
-
|
Integração do sistema gerencial
|
+
|
-
|
Velocidade de resposta do sistema
|
+
|
-
|
Administração
|
Forças
|
Fraquezas
|
Habilidade
|
+
|
-
|
Experiência
|
+
|
-
|
Comprometimento com os objetivos
|
+
|
-
|
Trabalho em equipe
|
+
|
-
|
Coordenação de esforços
|
+
|
-
|
Flexibilização administrativa
|
+
|
-
|
Finanças
|
Forças
|
Fraquezas
|
Liquidez / Capacidade de pagamento
|
+
|
-
|
Estrutura de capital /
Endividamento
|
+
|
-
|
Rentabilidade
|
+
|
-
|
Demonstrativos financeiros /
Informações
|
+
|
-
|
Comprometimento fiscal e tributário
|
+
|
-
|
Análise de investimentos VPL / TIR
|
+
|
-
|
Transparência dos Resultados
|
+
|
-
|
Gerenciamento de risco
|
+
|
-
|
Recursos Humanos
|
Forças
|
Fraquezas
|
Capacidade técnica operativa
|
+
|
-
|
Sistema de gestão de recursos
humanos
|
+
|
-
|
Formalização contratual
|
+
|
-
|
Rotatividade de pessoal
|
+
|
-
|
Motivação dos trabalhadores
|
+
|
-
|
Desenvolvimento técnico
profissional
|
+
|
-
|
Fonte: Adaptado de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) e Machado (2005)
Ambiente
Externo
Quanto ao ambiente
externo, a análise considera variáveis
ou fatores que estão fora do controle da organização e que não há
nada que a empresa possa fazer para mudar ou evitar. São fatores como políticas
governamentais, infraestrutura, recursos logísticos, mercado, competidores, ambiente
econômico, globalização e outros. Nesta análise externa verificamos as
oportunidades e as ameaças, geralmente utilizando pesquisas de mercado,
pesquisas na Internet, livros, estudos de caso, materiais de feiras e
congressos, e outros recursos.
O – Opportunities =
Oportunidades – são características que indicam como a organização pode
continuar a crescer dentro de seu mercado, como por exemplo: mudança
tecnológica, política governamental, padrões sociais.
Questões básicas:
- Onde e quais
são as oportunidades atrativas dentro do seu mercado?
- Existe alguma
nova tendência surgindo dentro do mercado?
- Quais as
perspectivas futuras da sua empresa que possam vir a descrever novas
oportunidades?
Exemplos:
- Incentivos
governamentais à exportação;
- Incentivos
governamentais ao desenvolvimento de produtos;
- Viés de
aquecimento do mercado interno;
- Conscientização
do empresariado para explorar o mercado externo;
- Nova tecnologia
disponível para viabilização de projetos;
- Integração com
o mercado global;
- Negociações
internacionais que venham diminuir barreiras comerciais;
- Viagens de
nossos governantes com fins políticos e econômicos que aumentam a
visibilidade e o comércio exterior do Brasil;
- Melhor imagem
externa do Brasil, que agora vai além de cachaça, futebol, carnaval e
samba;
- Aquecimento da
economia;
- Pré-sal e as
energias renováveis; Copa do Mundo; Olimpíadas; etc.
T –
Threats = Ameaças – ninguém gosta de pensar em ameaças, mas ainda assim nós temos de
enfrentá-las, mesmo sendo fatores externos, fora de nosso controle. É vital
estarmos preparados para enfrentar as ameaças durante situações de turbulência.
A prevenção ajuda a reduzir os riscos de suas consequências.
Questões básicas:
- O que seu
concorrente está fazendo que prejudica seu desenvolvimento organizacional?
- Existe alguma
mudança na demanda do consumidor que pede por novas exigências de seus
produtos e serviços?
- As mudanças
tecnológicas estão afetando sua posição dentro do mercado?
Exemplos:
- Mudanças na
política econômica que afeta a empresa, como por exemplo: aumento de
juros;
- Mudanças
cambiais sensíveis;
- Mudanças na
regulamentação de importação e exportação no âmbito governamental, tanto
no país de origem como no país de destino;
- Entrada de concorrentes
com o mesmo perfil;
- Diminuição do
poder de compra dos clientes finais;
- Ataques
terroristas que prejudiquem o comércio internacional;
- Alterações de
regulamentações relacionadas com incentivos.
Análise
do Quadro
Após concluir a montagem do quadro, costuma-se fazer a análise dos
fatores encontrados, cruzando:
Pontos
Fortes com Oportunidades – para potencializar as
oportunidades de acordo com os pontos fortes da organização.
Pontos
Fracos com Oportunidades – para fortalecer os pontos
fracos de modo que se possam aproveitar as oportunidades.
Pontos
Fortes com Ameaças – para identificar modos de diminuir as
vulnerabilidades utilizando os pontos fortes.
Pontos
Fracos com Ameaças – para estabelecer um plano defensivo para
evitar que as ameaças externas sejam potencializadas pelos pontos fracos.
O resultado desta análise poderá contribuir no estabelecimento dos
objetivos estratégicos, metas, medidas e iniciativas, que serão usadas nos
planos de ações estratégicas que serão desdobradas em ações táticas e
operacionais.
E ainda, uma Força (interna) pode nos motivar a investir em um novo
negócio (Oportunidade externa). Exemplo: Engenheiros qualificados (Força)
permite a empresa obter um novo contrato (Oportunidade externa).
Uma Fraqueza (interna) pode ser compensada por uma Força (também
interna). Exemplo: Um mau serviço de pós-venda (fraqueza) pode ser
compensada produzindo produtos muito bons.
Pontos
a Melhorar
Além dos elementos estratégicos
identificados no SWOT, com certeza temos pontos
a melhorar, que são características positivas na instituição mas não em nível
suficiente para contribuir efetivamente ao cumprimento do seu propósito. Como
por exemplo:
- Qualidade da
matéria prima utilizada;
- Controle de
estoques para evitar faltas;
- Clareza nos
comunicados e documentos para os clientes;
- Iluminação e
indicações visuais nas instalações;
- Formação do
pessoal que lida diretamente com os clientes;
- Atendimento à
imprensa.
Outras
Ferramentas Estratégicas
Além da Análise SWOT existem outras ferramentas muito úteis para o
planejamento estratégico, abaixo apresento resumidamente outras duas.
A análise PEST (política,
econômica, social, tecnológica) avalia um mercado, incluindo os concorrentes,
do ponto de vista de uma proposição particular ou um negócio. Ela pode ser útil
antes da análise SWOT porque ajuda a identificar fatores de SWOT. PEST e SWOT
são duas perspectivas diferentes, mas podem conter fatores comuns.
A análise das 5
forças competitivas de Porter – usada para análise setorial:
Rivalidade entre os concorrentes; Poder de Negociação dos clientes; Poder de
Negociação dos fornecedores; Ameaça de Entrada de novos concorrentes; Ameaça de
produtos substitutos.
Tanto PEST como as 5 forças de Porter atuam sobre empresa e muitas vezes
requerem mudanças na organização até mesmo no modelo de negócios.
Links
relacionados:
- Apresentação
Prezi: Introdução a Análise SWOT
- Artigo: A Ideologia Central da Empresa e a Estratégia:
Missão, Valores e Visão
- Artigo: Planejamento e Gestão da Estratégia de Negócios
- Artigo: A Importância da Modelagem de Negócios
- Artigo: Planejamento Estratégico de campanhas de marketing
para Mídia Social
- Wikipedia: Análise SWOT
- Wikipedia: Benchmarking

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